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on sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Biodiversidade: uma ameaça com potencial de negócio

on quarta-feira, 27 de janeiro de 2010


Em 2010, a preservação da biodiversidade vai unir o planeta em torno do Ano Internacional da Biodiversidade. A iniciativa tem como missão consciencializar o grande público para a importância desta temática, mas não só. A ideia é também chegar às empresas e ao potencial de negócio que a biodiversidade incorpora.

m prol da biodiversidade aumentarão o potencial de negócio da sua actividade, uma vez que estão a corresponder às preocupações sociais. Por fim, os vários governos terão maior receptividade pública na tomada de medidas em prol biodiversidade.


Para Hugo Costa existem, no entanto, alguns entraves ao desenvolvimento total deste mercado da biodiversidade. «Há muito trabalho que ainda é efectuado de um modo bastante “amador”, o que tem prejudicado o seu desenvolvimento». O sócio-gerente da Bio3 elogia, todavia, o trabalho das autoridades nacionais – como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) – em relação ao «aumento do nível de exigência que colocaram nos estudos».



Apostar na biodiversidade é rentável
De acordo com um estudo de 2008, publicado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla original), olhar para o ecoturismo é a melhor forma de perceber como a biodiversidade pode ser também sinónimo de mercado viável. O turismo “amigo do ambiente” tem aumentado, globalmente, entre 20 e 30 por cento por ano. Outros dos sectores com forte potencial são os mercados da agricultura orgânica e a exploração florestal sustentável, assim como serviços de mitigação das alterações climáticas.
Mais recentemente, a iniciativa TEEBThe Economics of Ecosystems and Biodiversity (A Economia dos Ecosistemas e Biodiversidade) lançou um relatório sobre as vantagens económicas para os decisores que investem na biodiversidade. O estudo sublinha que, na Europa, um em cada 40 empregos está relacionado com o ambiente e eco-serviços, incluindo a exploração florestal sustentável.
O relatório incita os decisores a apostar em infra-estruturas ecológicas, que têm um considerável retorno financeiro, ao mesmo tempo que aumentam a resistência do planeta às alterações climáticas. De acordo com as estimativas iniciais da iniciativa TEEB, as taxas de retorno potenciais chegam aos 40 por cento na plantação de florestas, 50 por cento nas florestas tropicais e 79 por cento nos prados.
O estudo TEEB é uma iniciativa da Comissão Europeia em resposta a uma proposta, feita em 2007, pelos ministros do Ambiente do G8+5 para o desenvolvimento de um estudo global do impacto económico da perda de biodiversidade. Este relatório, publicado em Novembro de 2009, dá o exemplo dos investimentos venezuelanos na sua área nacional protegida, que previnem a sedimentação responsável por perdas económicas da agricultura na ordem dos 3,5 milhões de dólares (2,4 milhões de euros), por ano.



Metas para 2010 ameaçam falhar


O Ano Internacional da Biodiversidade marca a meta decidida pela Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) das Nações Unidas para alcançar progressos na redução da perda da biodiversidade. Em 2010, as partes da Convenção vão reunir-se para avaliar os resultados das medidas tomadas pelos diferentes países para chegar a uma «redução significativa» da actual taxa de perda da biodiversidade, a nível global, regional e nacional, de acordo com os objectivos traçados na Cimeira Mundial de Joanesburgo, em 2002, sobre o Desenvolvimento Sustentável.
Enquanto se vai desenhando um novo Plano Estratégico para a CDB, que apresentará as metas para o período pós-2010, surgem dúvidas sobre o sucesso do encontro entre representantes de todos os países envolvidos na Convenção, agendado para Outubro, no Japão.
O balanço das taxas de biodiversidade está longe de ser positivo, com um aumento de 363 espécies em risco de extinção em 2009, em relação a 2008. De acordo com a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, feita pela IUCN, 17 291 espécies estão em risco de extinção. Em Portugal, existem 159 espécies em risco, mantendo-se o número de 2008.
Além disso, a Convenção de Outubro ameaça tornar-se uma querela entre países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento, à semelhança da Cimeira de Copenhaga. A Índia já anunciou que quer assegurar o fim da bio-pirataria biológica e o acesso a recursos biológicos. A biodiversidade do país representa cerca de 8 por cento da flora e fauna mundial e a Índia acusa frequentemente farmacêuticas ocidentais de utilizarem, de forma abusiva, os recursos naturais da região.


Autor / Fonte Marisa Figueiredo